Proposta prevê percentual mínimo do orçamento destinado à área, em modelo semelhante aos recursos vinculados para saúde e educação.
Cuiabá, MT, agosto de 2026
Da Assessoria
O candidato ao Senado
Pedro Taques (PSB) propõe a criação de uma Lei de Responsabilidade da Segurança
Pública para estabelecer um percentual mínimo do orçamento que deverá ser
obrigatoriamente investido na área. A proposta segue uma lógica semelhante à adotada
para saúde e educação, que contam com recursos vinculados - os chamados
recursos “carimbados” - para aplicação nessas áreas.
A vinculação pretende
assegurar recursos permanentes para a segurança pública e impedir que
investimentos necessários ao setor fiquem sujeitos às mudanças de prioridades
dos governos. Taques justifica que o governo de Mato Grosso não tem conseguido
conter o avanço das facções criminosas, e o enfrentamento ao crime organizado
exige que a segurança seja tratada como prioridade permanente do Estado.
“Precisamos garantir que
os recursos para a área sejam direcionados ao fortalecimento do efetivo e da
estrutura das forças de segurança, ao combate ao crime organizado e à proteção
das fronteiras, especialmente para impedir a entrada de drogas que abastecem as
facções. Além disso, as Forças Armadas têm que estar na fronteira, impedindo a
entrada de drogas que corrompem o cidadão mais jovem, que tirem o sono das
famílias mato-grossenses”.
A proposta é apresentada
em um cenário de indicadores preocupantes em Mato Grosso, já que o Atlas da
Violência 2026 aponta que o Estado registrou 1.102 homicídios em 2024, com taxa
de 29,1 mortes por 100 mil habitantes, acima da média brasileira de 20,1.
Apesar da queda de 1,7% em relação a 2023, a taxa de homicídios em Mato Grosso
acumulou crescimento de 14,1% entre 2019 e 2024.
Outro levantamento,
Cartografias da Violência na Amazônia 2025, do Fórum Brasileiro de Segurança
Pública, identificou a presença de facções criminosas em 92 municípios de Mato
Grosso, o equivalente a 65,2% dos municípios analisados no Estado.
Outro eixo defendido por
Taques é o fortalecimento das ações de segurança nas regiões de fronteira. Para
o candidato, o enfrentamento às organizações criminosas passa pelo combate à
entrada de drogas no Estado. “Quando fui senador, destinei recursos para os
programas Ágata e Sentinela, das Forças Armadas, voltados às ações de
fronteira, e defendi que parte das emendas parlamentares fosse destinada a essa
finalidade".
Mil policiais nomeados
A defasagem do efetivo
policial também é apontada por Taques como um dos problemas da segurança
pública no Estado. Em abril de 2025, levantamento apresentado pela Associação
dos Candidatos Aprovados no Concurso Público para Soldado da Polícia Militar
(ACAP-PMMT), com base no lotacionograma da administração estadual, apontava
7.132 servidores em exercício para um total autorizado de 13.384 cargos na
Polícia Militar.
Naquele período, o
concurso da PMMT somava 1.800 aprovados e apenas 700 haviam sido convocados. O
escritório AFG & Taques Advocacia atuou juridicamente em favor dos
concursados, com medidas encaminhadas aos órgãos de controle cobrando do Estado
a convocação dos candidatos. Posteriormente, os mil aprovados foram nomeados
pelo Governo de Mato Grosso.
A atuação em favor dos
aprovados é citada por Taques como exemplo de uma medida concreta para recompor
o efetivo, mas, para ele, o problema da segurança pública exige uma solução
permanente, com recursos garantidos para manter policiais nas ruas, estrutura e
capacidade de enfrentamento ao crime organizado.
“Nós defendemos os
aprovados no concurso da PM, e eles foram chamados. Mas segurança pública não
pode ser feita de improviso. É preciso ter policial, estrutura e dinheiro para
enfrentar as facções. Por isso eu defendo uma Lei de Responsabilidade da Segurança
Pública, para garantir recursos e dar tranquilidade ao cidadão”, finaliza.
